terça-feira, julho 01, 2008

Indiana Jones is no bad thing for science

FEW scientific disciplines have a hero as charismatic as Indiana Jones. The whip-wielding character is the most widely recognised image of an archaeologist and largely due to this, the field enjoys huge and untainted popularity. Yet many archaeologists still seem desperate to distance themselves from the phenomenon. Since the height of the last Indy fever in the 1980s I have given up counting the number of exhibitions, educational events and publications that shout: "The real archaeologist practically never works like Indiana Jones."
Now, Indy is back. Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull is released on 22 May, and there is every sign that it will be just as popular as its predecessors. So should archaeologists again rush to point out the gaping chasm between fiction and fact?
It is of course true that the films do not accurately represent professional archaeology. Modern archaeologists are not treasure-hunting looters, they do not use force to gain access to artefacts, and they do not normally wear fedoras or carry bullwhips. But movies appealing to mass audiences can be afforded a little licence. After all, science-fiction films and medical dramas aren't expected to be entirely accurate portrayals of space travel and hospitals either.
What weighs far more seriously is the criticism that elements of the film scripts communicate highly objectionable values. The adventures of Indiana Jones are premised on an imperial world in which western archaeologists routinely travel to the far corners of the globe in order to retrieve precious artefacts and save the world from Evil, giving the impression that the world is dependent on intervention from the west. Moreover, the films draw on a long cinematic tradition of portraying archaeology as the domain of white, heterosexual, able-bodied and comprehensively talented men who live though action-packed adventures in foreign countries.
This stereotype becomes part of the cultural baggage of very large audiences, and colours their perceptions of archaeology outside the cinema. It may even discourage individuals who do not think they conform to this apparent ideal from making archaeology their career choice. The discipline is the worse for any resulting loss of diversity.
In Crystal Skull, a more realistic portrayal of archaeology has been promised: co-writer George Lucas has stated that he and director Steven Spielberg "really wanted to capture what archaeology is like". Even so, the film clearly still aims at global mass entertainment rather than nuanced representations of archaeologists in real life.
But the popularity of Indiana Jones owes more to his spirit of adventure and fortunate discoveries than to the fact that he happens to represent a stereotype that is terribly politically incorrect. The quintessential archaeologist might well roam in Yorkshire or Massachusetts, he might be gay or of Asian or African descent. In the latest film, Indy is in his sixties and self-consciously refers to his age. And the success of Lara Croft shows that the hero can equally well be a heroine.
Ultimately, archaeology has far more to gain from being associated with characters like Indiana Jones than it has to fear. Public enthusiasm for the films attracts many bright young students to the field, as well as creating goodwill and occasionally providing fund-raising opportunities. Shortly after the third Indiana Jones film was released, for example, the Institute of Archaeology at University College London was raising funds to build new laboratories. Harrison Ford donated one of his character's bullwhips, which was auctioned for a substantial sum.
Dismissing any connection, on the other hand, is like telling people: "If you are interested in archaeology because of Indiana Jones, then it is not for you!" It is the equivalent of Greenpeace warning every potential donor that real Greenpeace activists virtually never work in small rubber dinghies fighting illegal whalers. Although true, this achieves nothing except alienating an interested audience before it has had the opportunity to hear what it is that you actually want to convey.
The irony is that archaeologists do find their subject exciting and are often driven by the same spirit of adventure that epitomises Indiana Jones. Many students choose their subject out of a desire to travel and a fascination for discovering ancient artefacts. Indeed, just like their professors, they tend to consider fieldwork under tough conditions pleasurable, taking any opportunity to tell each other of hardships encountered and hazards lived through. Even for seasoned scholars, the best rewards for hard work are spectacular discoveries, and it helps when they are made of precious metal.
“Archaeologists are driven by the same spirit of adventure that epitomises Indiana Jones”
There is a little "Indy" in many archaeologists, even if in public contexts that persona is hidden behind the face of a serious scientist. We may hate to admit it, but Hollywood's depiction of archaeology may capture something of the spirit of the discipline after all.
Cornelius Hortolf
in New Scientist, 14 de Maio de 2008


Peço desculpa por o texto estar em Inglês mas não tenho paciência para estar a traduzir isto tudo.

Odeio que associem a imagem dos arqueólogos ao Indiana Jones.

O meu trabalho não tem nada de aventureiro e muito menos de caça ao tesouro. No fundo é disso que tratam os filmes do Indiana Jones certo?

E sei que muitos jovens entram para arqueologia enganados. Tive um ou dois colegas de faculdade a quem aconteceu isso mesmo.

Há poucos dias telefonou-me a mãe de uma estudante de arqueologia que queria vir escavar. Disse a mãezinha que a filha era uma autêntica Indiana Jones. Não comentei. Mas também não gostei muito do comentário. Cá a espero. Adiante!

Quem vem para aqui a pensar que vai viver uma aventura vai ter uma desilução. A única aventura vai ser uma picareta nas mãos sob um sol de 40º. E os tesouros que vão encontrar são muros e cacos.

Se o Indiana Jones chama a atenção para a causa da arqueologia, sim chama. O problema é ver até que ponto essa chamada de atenção é ou não benéfica. A meu ver promove a actividade dos detectores de metais e de caçadores de tesouros. Não a arqueologia enquanto ciência.

Se alguns países e alguns arqueólogos tem a capacidade de aproveitar a publicidade do Indiana Jones para patrocinar projectos científicos, parece-me muito bem.

Nós Portugueses, estamos como sempre na cauda da Europa. Falta-nos a cultura do mecenato. Falta-nos valorizar o nosso património e os nossos sítios arqueológicos. Não se pode ganhar dinheiro como monumentos a cair. E sem dinheiro não há investigação nem valorização. Devíamos olhar para o exemplo dos nossos vizinhos espanhóis, dos ingleses, dos italianos.

Não gosto da imagem do Indiana Jones. Mas se a sua publicidade puder ser benéfica para a investigação arqueológica, então que seja bem aproveitada para a salvaguarda do nosso património.

3 comentários:

Marizita disse...

Eu acho que o espirito aventureiro tipo " indiana jones" pode ser intrepertado de varias formas, a primeira vez que escavei para mim foi uma aventura pois nunca o tinha feito, achei cansativo, mas muito emocionante de encontrar coisas dos nossos antepassados, e adorei por isso hoje ando no curso que ando, mesmo sabendo que o futuro é em tambem um aventura mas mais em busca de emprego.
Pode-se tambem considerar as prospeções grandes aventuras, nas minhas idas para o campo ja fiz coisas que nunca imaginei fazer, escalada, rastejei por baixo de cercas, saltei cercas ... enfim
Não andei a lutar com com nazis nem com russos como o India Jones, mas já ultrapassei barreiras que nunca pensei em ultrapassar.
Eu adoro o India Jones, cresci a ver os seus filmes, mas sei que aquilo não é a verdadeira arqueologia (talvez na altura pensasse lool).
Para ser arqueologo é necessario ter um espirito aventureiro nunca sabemos o que nos podes acontecer, mas tudo tem os seus limites, e temos de aprender esses limites com quem tem mais experiencia nesta area, e não com o India Jones.

Prophet of Disaster disse...

Pois é, minha cara Biggest Hill, sabes qual é o teu problema? O teu problema é que és preconceituosa. Se tivesses uma mente aberta, verias que o Indiana Jones não passa daquilo que é mesmo, puro entertenimento, e aposto que se visses aquilo com olhos descomprometidos, até achavas piada. O problema de gente como tu, e provavelmente da maioria da malta que entra para arqueologia, é que não consegue separar a realidade de um filme! Tu não gostas porque dá mau nome à arqueologia e os outros são parvos porque pensam que é assim mesmo. Olha a mim, o efeito que os filmes do Indiana me provocaram foi aumentar a minha curiosidade pela História mas soube sempre que aquilo tudo não passa de fantasia. Eu dava em maluco se levasse a sério toda a quantidade de filmes e desenhos animados que vi quando era puto. Provavelmente, andava deprimido porque nunca consegui arranjar um DeLorean adaptado em máquina do tempo e, de cada vez que o meu pai ralhava comigo "Vai já fazer os TPC's, eu é que mando... EU É QUE SOU O TEU PAI!", desataria a gritar, com a minha mão metida na manga da camisa e fugia. (Ok, tá certo que comprei um capacete de Darth Vader e um lightsaber!). Conheço pessoal que até lhes salta a veia da testa porque realizador tal decidiu fazer nova versão de um clássico, por exemplo. Epá, as coisas, não são para ser levadas tão a sério. Os filmes do Indiana não são nada arqueológicos porque se fossem, seria uma grande seca! Imaginemos o filme dos Salteadores da Arca Perdida. Depois do Indiana saber qual a localização da arca da aliança, teria de chamar os topógrafos para marcarem o ponto de cota, depois era marcar sondagens alinhadas a norte, depois lá viriam os escravos das picaretas tirar a primeira camada. Em seguida, fotografava-se, com claquete e seta do norte. Depois voltam as picaretas, aparecem uns caquitos egipcios quaisqueres, lá vai a malta do pincel andar de rabo pró ar, toca a ensacar e fazer fichas, até que chegam à próxima camada. Vai de tirar fotos de novo... Bla bla bla, etc. e tal, e assim sucessivamente, até que chegam à tampa do Poço das almas, onde está guardada a arca da aliança. De novo, tirar fotos, e finalmente levantar a tampa. Ora, tudo isto teria de ser feito numa noite, sem fazer muito barulho para não acordar os nazis, o que duvido que resultasse, já que a malta teria o som a bombar, só para te lixar a vidinha! Com um pelotão de nazis a correr para o sitio da escavação, ainda teriamos de descer ao poço das almas, fotografar tudo enquanto nos esquivavamos às cobras-capelo, e podia ser que tivessemos sorte de os nazis terem ficado a curtir o som em vez de nos apanharem lá dentro! Epá, desculpa lá mas eu não ia ver um filme destes! Mas ca ganda seca! Já chega a realidade das tuas escavações para ainda ter que aturar um dumper day também no cinema! Vai pró caraças, oh arqueóloga fascizóide! Aprecia o cinema como deve ser, curte a vida e o teu trabalho que é o mais fixe deste mundo e experimenta tu a fazer o próximo filme do Indiana cá em Montemor...

Filomena disse...

Eu cá gosto do Indiana Jones.
O Indiana Jones, como personagem de ficção, não precisa de promover uma imagem científica do arqueólogo.
Indiana Jones é pura efabulação e romantismo. Do mesmo modo que Camões, zarolho, a salvar os Lusíadas a nado o é.
Todas as profissões são alvo de mitificação. Há com certeza pessoas que desejaram ser professoras porque viram o Clube dos Poetas Mortos. Uma nova horda de historiadores deve ter emergido a seguir à leitura do Código da Vinci (que, do meu ponto de vista é infinitamente mais pernicioso do que o Indy). Há engenheiros que queriam ser o Eiffel; há arquitectos esperando ser o novo Le Corbusier.
A efabulação profissional é o que nos dá paixão por qualquer actividade que desenvolvamos. Só por isso, vale a pena que haja pessoas a acreditar nas histórias do Indiana Jones ou do artista louco que muda o mundo.