terça-feira, agosto 23, 2005

Dias Negros



Hoje Montemor amanheceu assim...

Coberta por um espesso manto de fumo. Ao que parece é o fumo dos incêndios de Abrantes. Se em Montemor estava assim, imagino nas zonas dos incêndios!

É triste!

Enquanto o país arde os nossos governantes recusam-se a declarar o estado de calamidade pública. Estarão eles à espera que não exista um arbusto sequer para arder, para aí sim tomarem medidas?

quinta-feira, agosto 18, 2005

Oferenda aos deuses

Sejam lá eles quem forem!!! Que nos proporcionam achados destes.
Este post é em forma de agradecimento e homenagem à Ana e aos restantes membros da sua sondagem que durante quase dois meses efectuaram uma autêntica travessia do deserto (em termos arqueológicos) que agora, a duas semanas de terminar a escavação, se tornou num verdadeiro oásis.

Uma pequena amostra...

do que saiu em meia-hora de escavação...

sábado, agosto 06, 2005

Dias Tranquilos

Falta pouco mais de um mês para o Posto de Turismo de Montemor-o-Novo reiniciar mais uma edição dos "Dias Tranquilos". E tal como nos vem habituando, também agora com excelentes propostas. Deixo de seguida a listagem dos passeios a terem lugar sempre no Concelho de Montemor.

10 de Setembro
"Pedras de Armas"
Com António Sameiro.
Manifestações heráldicas de carácter exterior e duradouro. Ao longo deste passeio urbano vamos ficar a conhecer quais os critérios usados na elaboração de um inventário heráldico de Montemor para diferenciar a heráldica institucional da heráldica familiar e pessoal.

1 de Outubro
"Um aniversário com uma caminhada"
Venha comemorar connosco o 3.º aniversário do Núcleo de Interpretação Ambiental dos Baldios, com uma caminhada pelos Sítios de Cabrela e Monfurado. Abasteça a sua mochila com o Pic-Nic para o almoço, que a sobremesa fica ao nosso cuidado.

07 de Outubro
"À noite, com as rãs, salamandras e outros anfíbios"
Com Paulo Sá de Sousa, António Mira, Fernando Ascensão e Nuno Baptista.
Com as primeiras chuvas do Outono, os anfíbios saem para fora das tocas, podendo ser facilmente observados. Ao longo deste passeio nocturno vamos ao encontro destes pequenos seres associados a feitiços e bruxarias e aprender um pouco mais sobre eles. (nota: não mordem nem são venenosos!)

15 de Outubro
"Montemor no século XIV"
Com Manuel Branco. Ao longo deste passeio vamos ouvir testemunhos de quem estudou e investigou como era Montemor no passado, com especial destaque para o castelo e o arrabalde.

05 de Novembro
"O Rato-de-Cabrera e as aves de rapina"
Com Sara Santos e Rui Lourenço.
Ao longo deste passeio vamos ficar a saber qual a relação entre o Rato-de-Cabrera e as aves de rapina.
Traga os binóculos e venha connosco passar uma tarde com o pescoço esticado a olhar para o céu à descoberta destas encantadoras aves.

12 de Novembro
"À descoberta das paisagens do Rio Almansor"
Com Ícaro Silva, Jerónimo Henke e Marta Mattioli.
Percurso interpretativo ao longo do Rio Almansor. A geologia, a fauna e a flora desta ribeira que em Montemor é rio, e que alberga algumas espécies de peixes com interesse europeu.

03 de Dezembro
"Espaços de memória de São João de Deus"
Com Jorge Fonseca.
Ao longo deste passeio vamos ficar a conhecer os lugares que marcaram a vida de São João de Deus, desde o dia em que nasceu até ao dia em que deixou a cidade e referiu a célebre frase: “De Montemor nem pó.”

10 de Dezembro
"As lontras em Monfurado"
Com Mafalda Basto e Nuno Pedroso.
Ao longo deste passeio vamos seguir os vestígios deste animal de difícil observação, através de pegadas e dejectos. Quem sabe, se com sorte, conseguimos observar esta espécie ao pôr-do-sol.

07 de Janeiro
"Moinhos de Montemor"
Com José Jacinto Bexiga e Vítor Guita.
Os moinhos são uma clara evidência da sabedoria e técnica popular. Neste passeio vamos ficar a conhecer como funcionavam e também histórias de quem lá passou parte de sua vida.

21 de Janeiro
"Ribeiras e musgos aquáticos"
Com Filipa Pais e Carla Gonzalez.
Ao longo deste passeio vamos ficar a conhecer um projecto de renaturalização de uma ribeira e os principais resultados dos estudos realizados pela Faculdade de Ciências de Lisboa sobre a qualidade da água das ribeiras de Monfurado através da monitorização dos musgos aquáticos.


Horários: os passeios são gratuitos e têm início às 9h30 no Posto de Turismo. O passeio de dia 7 de Outubro terá início às 18h00, e os passeios nos dias 5 e 12 de Novembro, 10 de Dezembro e 7 de Janeiro terão início às 14h00.
Inscrições: deverão ser efectuadas até à quarta-feira anterior a cada passeio para o Posto de Turismo de Montemor-o-Novo:
Tel. 266 898 103 ou e-mail: turismo@cm-montemornovo.pt

Bons passeios!

segunda-feira, julho 25, 2005

Visita ao blog do lado e não só

Depois de quase um mês de escavação e com esta a correr a bom ritmo, decidimos fazer uma visita a outros locais arqueológicos dos Concelhos de Montemor e Évora. Num desses locais visitámos o amigo do blog do lado.



Gruta do Escoural



Parte da equipa do segundo turno de escavação no Menir dos Almendres

domingo, julho 24, 2005

III Mostra Internacional de folclore em Montemor-o-Novo




Como vem acontecendo nos últimos anos, o Rancho Folclórico Fazendeiros de Montemor-o-Novo vai organizar, mais uma vez, nos dias 13 e 14 de Agosto, a sua Gala Internacional de Folclore. E desta vez em pleno Centro Histórico de montemor-o-Novo.
A não perder!

domingo, junho 26, 2005

Pausa

O Montemaior vai fazer uma pausa.
Vai, finalmente, meter as mãos à terra (a do Castelo) e esperar que a terra lhe revele as histórias e os objectos que há tantos séculos esconde. E esperar também que ela seja tão fértil e generosa como tem sido nos últimos anos.
Se o tempo e o cansaço o permitirem, voltaremos dentro de pouco tempo. Se não, a partir de 2 de Setembro, cá estaremos para revelar mais segredos e histórias desta magnífica cidade que é Montemor-o-Novo.

Termino com um breve apontamento sobre o passeio das aldrabas que ontem se realizou no Centro Histórico de Montemor sobre a orientação do antropólogo Luis Filipe Maçarico. Muito agradável, bonito, enriquecedor. é o que se pode dizer. E na "capital da Aldraba", viram-se pérolas como estas






sexta-feira, junho 24, 2005

Castelo


e parte da cidade de Montemor-o-Novo. Ao fundo a ermida de N.ª Sr.ª da Visitação.
Vista Sul.

terça-feira, junho 21, 2005

segunda-feira, junho 20, 2005

AJUDA!

Alguém me ajuda a colocar o tamanho da letra nos links da barra lateral maiores?
Ou melhor, com um tamanho normal!

domingo, junho 19, 2005

Silhar visigótico


Na sequência do post de 10 de Junho "Da antiguidade de Montemor-o-Novo", aqui fica a foto do silhar visigótico incrustrado na parede da Igreja de S. João Baptista no Castelo. Ao contrário dos silhares da Torre do Relógio, que aparentemente possuiam apenas uma função decorativa, este silhar, para além da função decorativa, possuía ainda uma função prática, como encaixe de porta ou janela, como se pode ver pelo orifício na parte inferior da pedra.

sexta-feira, junho 17, 2005

Ribeira de S. Cristóvão


Quem pensava que imagens como estas só existiam no Norte de Portugal está muito enganado.
Esta cascata deliciosa fica no Alentejo e em Montemor-o-Novo.

Nota: A imagem foi retirada do excelente site "Património Natural de Montemor-o-Novo"

terça-feira, junho 14, 2005

Quando o Sol se esconde,


e a Torre se ilumina,
o Castelo ganha um novo encanto!

sexta-feira, junho 10, 2005

Da antiguidade de Montemor-o-Novo


Montemor-o-Novo é muito mais antigo que aquilo que parece.
Antes dos árabes já outros povos por cá andavam. E a prova disso é esta e outra pedra visigóticas incrustradas na Torre do Relógio. E ainda existe outra pedra visigótica incrustrada noutro edifício do Castelo. Mas não digo onde é. Vou deixar aos leitores do Montemaior, neste fim de semana prolongado, o prazer de a descobrirem.
Aproveitem e passem pela esplanada que reabriu no Convento da Saudação.
BOM FIM DE SEMANA!!!

quarta-feira, junho 08, 2005

O Projecto urbanístico de D. Manuel I

No início do século XVI D. Manuel ensaia em Montemor um projecto de urbanismo para o arrabalde. Nesta altura a vila intra-muras, embora já em decadência, deveria ainda encontrar-se superpovoada, situação que, aliado ao crescimento populacional a que se assistiu nesta altura, favoreceu este novo projecto. O rei ordena então que “se possam construir casas de um dos lados do Rossio, não ultrapassando a estrada Lisboa-Évora e entre São Sebastião (junto à Igreja do Calvário) e Santo António (penso que seria junto ao actual Convento de S. Domingos) ” (1). O juiz, provedor e vereadores de Montemor foram depois ao terreno delimitar essa linha que ia desde a estrada de Évora até à Porta de S. Tiago, na muralha, fixando assim os limites do arrabalde e do Rossio. À excepção de alguns equipamentos colectivos, estes limites encontravam-se, até à construção da urbanização de S. Domingos, praticamente intactos. Segundo ordens do rei a construção de novas casas deveria ser feita de cima para baixo, ou seja das muralhas para o arrabalde. Explicitando bem que esta se tratava de um iniciativa puramente urbana, o rei ordena que não se dessem terrenos para quintais maiores que aqueles que seriam necessários para fazer uma casa.
Esta é assim, ao que sabemos, a primeira iniciativa de controlo urbanístico em Montemor-o-Novo.


(1) in “Montemor-o-Novo quinhentista e o foral manuelino”, pág.91

segunda-feira, junho 06, 2005

Sobre as origens no nome "Montemor-o-Novo"


Embora as origens de Montemor-o-Novo recuem para além da época Cristã, desconhece-se como era designada a urbe, por exemplo durante a época islâmica.
O primeiro documento conhecido que refere a povoação data de 1181, altura em que D. Gonçalo Mendo era seu mordomo-mor e nesta altura era designada como "Montem mayorem". É assim também que aparece referida no foral de D. Sancho I, em 1203. Este nome estava relacionado com a elevação onde se situava a vila, e que era a mais alta num raio de alguns quilómetros.
Até 1237 a vila é sempre chamada de Montem mayorem, altura em que lhe é incluido o "novo", certamente para melhor se distinguir do outro Montemor, perto de Coimbra.
A partir desta data a vila é sempre conhecida como Montemor-o-Novo, embora a forma de escrever tenha sofrido algumas variantes ao longo dos séculos.

quinta-feira, junho 02, 2005

Ex-voto II


Apresento aqui mais um exemplar de ex-voto da rica coleção da Ermida de Nossa Senhora da Visitação. Este mais recente que o anterior.
Como se pode ver refere-se à grande diva do fado e, ao que consta, foi ela própria que aqui o veio colocar de forma a agradecer a boa actuação no Casino de Paris, numa das que viriam a ser as suas últimas actuações ao vivo.

terça-feira, maio 31, 2005

A Ribeira de Canha e o Rio Almansor. Descubra as diferenças


Troço do rio junto à ponte de Évora

O pequeno ribeiro que actualmente conhecemos como Rio Almansor era conhecido desde, pelo menos, 1181 até finais do século XIX como Rio Canha ou Ribeira de Canha. Penso que a mudança de nome deve estar relacionada com o revivalismo islâmico a que se assistiu no século XIX e com uma tentativa de conotar a terra com uma personagem histórica dessa época.
Outro facto curioso sobre este curso de água é a sua designação. Até há algum tempo era conhecido como Ribeira de Canha. Agora chama-se pomposamente Rio Almansor. Quem o conhece sabe que de Rio tem pouco. No Verão está quase sempre seco e no Inverno, só em anos anormalmente chuvosos, atinge um caudal considerável. Mas nem sempre foi assim.
Transcrevo de seguida excertos das Memórias Paroquiais que se fizeram por todo o país em consequencia do grande terramoto de 1755 e que descrevem muito bem as características do Rio/Ribeira no século XVIII.
"(...) a caudeloza ribeira, que cinge, cerca e rega toda a raís do monte (Castelo) pela parte do sul que a faz todo o anno delicioza com a corrente de suas agoas.
Este he o celebre rio Canna, que ainda que não he dilatado o seu nascimento, contudo he arrebatado nas suas correntes, por virem por entre pinhascos, sendo estes mesmos a cauza de não poder ser navegável.
(...)
Tem este rio duas pontes huma chamáda de Alcaçar do Sal (...) e a a outra he a ponte de Evora (...). Tem por todo o termo desta villa the a hum citio chamado Castellos Velhos 28 moinhos, fora alguns que estão cahidos, e dois pisões. E as pontes são de cantaria.
He provida da multidão de seos pexes, com que se divertem os moradores deste povo, e de diversas especies como são bordálos, picões e barbos, e outros com diversos nomes, que por pequenos os não nomeyo. Todo o anno se pescão sem que haja pescarias obrigadas a algum senhor particular"
(1)
E era assim o nosso Almansor no século XVIII.


(1)in Almansor, N.º 3, 1985;