segunda-feira, maio 23, 2005

quinta-feira, maio 19, 2005

Últimos preparativos!



A mouraria está quase pronta


O cerco ao castelo também já está montado. É só um trabuco, mas faz alguns estragos...




Amanhã este espaço estará ocupado com os jogos tradicionais.
Por aqui passarão mais de quinhentas crianças entre os 2 e os 10 anos, antes da visita à exposição


Esta exposição vai, este ano, ser a grande novidade da Feira Medieval. Apesar de integrada numa feira medieval, não se pretende que esta seja uma exposição medieval. Ela é sobretudo uma exposição que assume a modernidade, mas tentando, de uma forma didáctica, elucidar os visitantes do modo de viver da época medieval. Chama-se Tesouros do Castelo porque para além dos objectos de uso quotidiano da época medieval, ela contem algumas peças de qualidade e raridade inegáveis, encontradas nas escavações do Castelo e que ainda não foram expostas. Espero que os visitantes gostem tanto como quem a concebeu e montou.
Deixo para mais tarde as fotos da exposição!

BOA FEIRA MEDIEVAL!!!

e para os mais afortunados

BOM FESTIVAL ISLÂMICO!!!

quarta-feira, maio 18, 2005

Feira Medieval (Preparativos)


Já temos as bandeirinhas


O Forno do pão também já cá está.
Pelo menos fome não passamos.


Como ainda não encontrámos nenhum original, temos que fazer e utilizar réplicas (Jogo do Moinho)


Já se preparam os canhões para o assalto à fortaleza


E eis que oitocentos anos depois os nossos irmãos muçulmanos voltam. Se nós não vamos até Mértola, Mértola vem até nós.

segunda-feira, maio 16, 2005

Pôr-do-Sol



No Convento dos Monges

Adenda ao último post

Sei que a Feira Medieval ( muito, mas mesmo muito infelizmente) calha no mesmo fim de semana do magnífico Festival Islâmico de Mértola, ao qual, dadas as circunstâncias, não vou poder ir, mas não deixem de visitar a feira. Merece. Nem que seja só para ver este castelo magnífico cheio de gente, e claro a exposição de arqueologia na Igreja de S. João Baptista, junto ao Paço dos Alcaides.

sábado, maio 14, 2005

Aviso à "navegação"

Dentro de seis dias, este belo e desértico cenário, estará cheio de gente.



É que na próxima sexta-feira, dia 20 de Maio terá lugar a terceira edição da Feira Medieval de Montemor-o-Novo. Nessa altura o Castelo estará a abarrotar de feirantes, malabaristas, bobos da corte, mendigos, cavaleiros com os seus respectivos cavalos e mais não digo para não quebrar a surpresa. Para além disto haverá ainda uma mais-valia a nível histórico e arqueológico desta iniciativa. Na Igreja de S. João Baptista estará patente ao público uma exposição de arqueologia intitulada "Tesouros do Castelo" e mais também não posso dizer. Venham a Montemor, subam ao castelo e desfrutem da vista e sobretudo da feira.

sexta-feira, maio 13, 2005

Montemor-o-Novo, Vila Notável

Na sequência de um pedido, por parte dos representantes de Montemor ás cortes de Lisboa de 1562, D. Sebastião promove Montemor a “Vila Notável”. Nesta altura havia no reino cerca de 15 vilas notáveis, o que atesta a importância de Montemor, ainda na segunda metade do século XVI, no contexto nacional.

E são estas as razões porque era Notável a vila de Montemor:

- Lugar antigo e muito povoado (No numeramento de 1527, só no interior da cerca habitavam cerca de 3600 pessoas);
- Lealdade dos seus habitantes;
- Possuir muitas igrejas, mosteiros, templos e casas nobres (nesta altura existiam na vila 5 mosteiros e outro no concelho);

Transcrevo de seguida, integralmente, a carta enviada pelo Rei D. Sebastião à Câmara de Montemor e assinada pelo Cardeal D. Henrique, por nessa altura D. Sebastião ainda se encontrar na menoridade.

Esta carta encontra-se actualmente no Arquivo Histórico Municipal de Montemor-o-Novo, tendo sido transcrita pelo seu director, o Dr. Jorge Fonseca.



Trascrição:

“Dom Sebastiam per graça de Deos Rey de Portugal e dos Algarves d’Aquem e d’Alem Mar em África, Senhor de Guiné e da conquista, navegaçam e comerçio de Ethiopia, Arabia, Perssia e da India. Aos que esta minha carta virem faço saber que os offiçiaes da Camara e pessoas da governança e povo da villa de Monte Mor o Novo me enviaram pedir por merçe per huum dos capitollos particulares que pellos seus procuradores me foram apresentados nas cortes que fiz nesta cidade de Lixboa o anno passado de mil quinhentos sassenta e dous que quisesse fazer à dita villa notavel e avendo respeito à dita villa ser lugar antigo e de grande povoaçam e aos muitos serviços que os moradores delle tem feitos a estes reinnos e aos reis meus antecessores e aos que espero que ao diante façam a mim e a meus sub cessores e asy avendo respeito à dita villa ser povoada de muitos fidalgos cavalleiros e pessoas de nobre geraçam e da criaçam dos reis destes regnos e acompanhada doutro muito povo e çercada e nobreçida de egrejas templos e moesteiros e de muitos outros edeffiçios e casas nobres e por concorresem estas e outras callidades per que bem mereçe e cabe nella a honra e preminençia que pedem e por folgar de lhes fazer merçe, ey por bem de a fazer e faço notavel e quero e me praz que daqui em diante se chame e posa chamar notavel e que os moradores della gozem e usem e possam usar e gozar de todas as graças honrras preminençias e liberdades de que per dereito e pollas ordenações usanças custumes e foraes destes reinnos podem e devem gozar os moradores das villas notaveis delles as quaes mando que lhe sejam inteiramente guardadas e por çerteza dello lhe mandei dar esta carta asinada per mim e asellada do meu sello pendente. E mando a todas as justiças e pessoas de qualquer calidade que seiam que em tudo a cumpram e guardem e façam inteiramente comprir e guardar como se nella conthem. Dada na çidade de Lixboa a xx dias de Março anno do Nasçimento de Nosso Senhor Jhesus Christo de mil quinhentos sassenta e tres. Antonio d’Aguiar a fez, Pero Fernandez a fez screver.

[ Ass.] O Cardeal Iffante

Carta per que vossa Alteza ha por bem de fazer notavel à villa de Monte Mor o Novo”


Fonte: Catálogo da Exposição "Um objecto, uma história, mês a mês", ed. da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo.

Lenda da Torre da Má-Hora



São muitos os turistas e grande parte dos montemorenses que se perguntam o porquê daquela torre e daquela porta (do Castelo) se chamarem "Má-Hora". Para os que não sabem aqui vai a história, ou melhor, a lenda.
Quando D. Afonso Henriques se encontrava, com o seu exército, a sitiar a povoação islâmica de Montemor, uma noite, um mouro esqueceu-se de trancar aquela porta. O exército de D. Afonso Henriques, reparando na falta do mouro, aproveita para atacar e tomar Montemor, entrando por essa porta. O nome "Má-Hora" vem então da má-hora em que esse mouro se esqueceu da porta aberta.

quarta-feira, maio 11, 2005

CHUVA



BEM-VINDA CHUVA.

PARA QUE, ENTRE MUITAS OUTRAS COISAS NECESSÁRIAS, DURANTE A FEIRA MEDIEVAL, O CASTELO ESTEJA VERDE E COBERTO DE FLORES.

terça-feira, maio 10, 2005

Púcaros de Montemor

Montemor-o-Novo conheceu ao longo da sua história uma importante comunidade oleira que atinge o seu auge no século XVI. Este foi, aliás, o século de ouro da então vila de Montemor-o-Novo. O apogeu da olaria montemorense foi, em parte, consequência do grande sucesso que, na capital do reino, atingiram os púcaros fabricados em Montemor.
Carolina Michaëlis de Vasconcellos, no seu livro “Algumas Palavras a respeito de Púcaros de Portugal” refere a fama destas peças cerâmicas desde, pelo menos, a primeira metade do século XVI.

Em 1526, D. Isabel, filha do rei D. Manuel e futura mulher do imperador Carlos V, leva como dote de casamento, entre outras coisas “...17 piezas de bucaros de Montemayor; outra pieza grande que es un jarro grande de Montemayor, a manera de botija;...”. Segundo a autora anteriormente referida, este é o exemplo mais antigo da utilização da palavra “búcaro”, ou seja, púcaro.

Segundo Isaura Carvalho , do inventário da Infanta Beatriz (1507) constam igualmente “...vinte e dous púcaros de barro, trinta e seis púcaros e outros apedrados..., trinta e nove púcaros de Montemor...”.

Mas é Duarte Nunes de Leão na sua “ Descrição do Reino de Portugal” que melhor define os púcaros de Montemor: “alem destes (…) há outros de barro fino, & de excellente cheiro de que se fazem pucaros & outros vasos maiores para beber & ter agoa, de muitas feições & de gentil talho, de que dam o primeiro lugar aos de Lisboa, por o bom cheiro que de si dam a quem por elles bebe. Outros sam após estes os de Montemoor o novo que em cheiro lhes nam dam lugar, porque sam pucaros que nunqua sam velhos como os de outras partes: & a razão he que sam feitos de barro mui cheiroso & amassados com muitas pedrinhas que parece que sam tantas as pedras como o barro: dos quaes quando querem usar, os roçam primeiro com huma pedra, & assim descobrem outras mais pedras, & fica novo barro: & assi cada vez os que querem fazer novos, que tenham o cheiro que tinham quando novos, os tornam a roçar & começam apparecer outras pedrinhas”.

P.S.- Prometo que amanhã ou quinta-feira posto uma fotografia de um púcaro de Montemor.

segunda-feira, maio 09, 2005

Catavento


Na aldeia de Santa Sofia, entre Montemor e Évora existe este curioso catavento. Uma vez que a fotografia está péssima, passo a explicar. Representa uma cena de caça, com o caçador ao fundo, o cão ao centro e em primeiro plano uma lebre que se percebe muito mal.
É um curioso catavento e para qual desconheço paralelos.
E parece que em dias de vento funciona na perfeição, com o caçador e o cão alinhados na direcção da lebre

domingo, maio 08, 2005

Rua de Quebra-Costas



Para quem não sabe, o nome desta famosa rua do Centro Histórico não está ligado ao facto da sua subida ser difícil ou de se partir as costas ao subi-la, mas sim ao facto de esta rua vir cortar a encosta muito íngreme que ali existe.
Só possuímos referências conhecidas para esta rua no século XVII, no entanto, penso que deve ter sido construída ainda durante o século XV. Neste século estavam já activas as duas praças da vila – a Praça Nova no Castelo, mas fora de muralhas e a Praça do Arrabalde, actualmente, o largo da Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Vila. A Rua do Quebra-costas seria assim a via mais directa para ligar estes dois importantes pólos das actividades sociais e económicas de Montemor quinhentista.

Aconselha-se aos visitantes de Montemor a evitarem a subida ao Castelo por esta rua. Não se partem as costas, mas que o coração, os pulmões e as pernas chegam lá em muito mau estado, isso chegam!

Terreiro das Portas do Sol



O Terreiro das Portas do Sol que já se chamou Largo Serpa Pinto e hoje se chama Largo General Humberto Delgado já existia em 1582. A designação Portas do Sol está relacionada com o facto de se situar numa das entradas para o arrabalde voltada para Nascente.
No século XVII, e como alternativa à Praça Nova, aqui se faziam mercados de géneros alímentícios.
Os mesteres do Povo diziam, em 1662, que "nesta vila havia anos se tinha feito praça na Porta do Sol, para nela se venderem todas as coisas de comer, de pão e frutas verdes e secas", pois os vendedores "não queriam ir vender á Praça Nova de cima, á vila (...) em respeito de ser muito longe" e ser por isso "bem comum do povo, assim para os que vinham a vender como para a gente desta vila e de fora e das passageiras, por estar em meio das estradas". (Ora aqui está um dos motivos para a saída da população da vila de cima para o arrabalde e consequente despovoação do Castelo).
Para suprir a falta de géneros alimentícios, em 1673, a Câmara obrigou a que todos os sábados, se fizessem, na Porta do Sol, as vendas de galinhas, frangos, ovos, queijos grandes e pequenos, caça e outros géneros alimentícios sem, que para isso, os mercadores tivessem que ir à almotaçaria mostrá-los antes de os vender.
Nos séculos XVI e XVII, aqui haviam paços de venda de cereais.
Era aqui também que, pelo menos desde o século XVII, e até há algumas décadas se faziam mercados de trabalho. Em 1670 a Câmara de Montemor proibiu os trabalhadores agrícolas de se irem oferecer para trabalhar, enquanto os "cegadores de fora" aí estivessem. Os cegadores de fora eram trabalhadores que vinham do norte ou da Beira trabalhar sobretudo por altura das ceifas e que ganhavam menos que os trabalhadores locais. Daí a preocupação da Câmara em separar os dois grupos de modo a evitar a subida de salários dos trabalhadores de fora.

Actualmente aqui se encontra o monumento aos combatentes de Montemor falecidos na I.ª Guerra mundial.

Fonte: Fonseca, Jorge (2000) - "Toponímia e urbanismos em Montemor-o-Novo (séculos XV-XIX)", in Almansor, N.º 14, 1.ª série;

terça-feira, maio 03, 2005

Praça Velha



A Praça Velha ou Praça do Peixe é uma das mais antigas praças da vila extra-muros de Montemor. Já existia em 1476, sendo então chamada de Praça do Arrabalde. Ligava directamente á Praça Nova, no Castelo, mas fora de muralhas, através da Rua de Quebra-Costas. Era aí, na Praça Nova que se faziam os mercados de peixe, carne, frutas e legumes.

No século XVIII, quando o Castelo era já uma área praticamente abandonada, a Câmara transfere para o arrabalde todas as estruturas e serviços que ainda funcionavam na vila intra-muros. Aqui se encontrava entre 1725 e 1749 o Pelourinho da vila, entretanto desaparecido. Ao tempo de João V aqui se realizava um mercado de géneros alimentícios todas as quintas-feiras.
Nesta praça funciona actualmente a Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Vila, no antigo edifício da Almotaçaria e de Ver-o-Peso.



A merecer destaque nesta praça encontra-se ainda a ermida de N.ª Sr.ª da Paz, um dos percursos da Procissão dos Santos Passos



e uma casa quinhentista popular com janela de balcão geminado.

quinta-feira, abril 28, 2005

Terreiro do Corro



O Terreiro do Corro é, na minha opinião, uma das mais bonitas praças do centro histórico da cidade. No século XVI e XVII era também chamada de Corro dos Touros, uma vez que era aqui que se realizavam as corridas de touros durante as principais festas da então vila de Montemor, nomeadamente na festa do Corpo de Deus. Aquando das corridas a praça era rodeada de paredes de madeira transformando-se num recinto fechado.
Em 1858, por decisão da Câmara, a praça assume novas funções. Aqui se passam a realizar os mercados de fruta e de hortaliça, pelo que o recinto é mandado terraplanar e arborizar. Devem datar dessa altura as grandes palmeiras que se podem ver na foto e que actualmente constituem já parte do património toponímico, uma vez que este terreiro é actualmente conhecido pela população montemorense como Praça das Palmeiras

terça-feira, abril 26, 2005

Ex-voto



A Ermida de Nossa Senhora da Visitação, possui uma interessante colecção de ex-votos que vão desde o século XVIII até ao século XX. Um dos mais interessantes retrata a fuga dos presos da cadeia de Montemor em 1883.
Nessa altura a cadeia era no piso inferior do edifício da Câmara Municipal, e como se pode ver a estrutura do edífio pouco mudou á excepção do fecho da porta de onde saíram os presos, e onde actualmente funcionam os serviços de contabilidade do município. Até a rua em frente ao edíficio que se pode observar pela porta da cadeia continua igual. A um nível mais alto e com guardas em ferro.

O ex-voto foi encomendado pelo então carcereiro Joaquim António Geraldo e por sua mulher Mariana Rita por forma a agradecerem a Nossa Senhora da Visitação "por os ter posto a salvo do grande prigo que curerão no dia 12 de abril de 1883, pela invasão dos presos da cadeia d'esta villa de Monte-mór o Novo"

segunda-feira, abril 25, 2005

FOI HÁ 31 ANOS


QUE ABRIL ACONTECEU!
Porque esta data merece e merecerá sempre ser recordada.
Foi há 31 anos que Portugal, e Montemor em particular, se libertaram do jugo da ditadura. Foi há 31 anos que Portugal descobriu a liberdade que à tantos anos lhe tinha sido roubada. PARABÉNS PORTUGAL por este dia livre, "levantado e principal" e por todos os dias livres que se lhe seguiram!
OBRIGADO a todos quantos participaram, com as suas armas e com os seus cravos vemelhos, nesse dia especial.
OBRIGADO a todos os homens e mulheres incógnitos, que na sombra, souberam lutar para que um dia, o 25 de Abril acontecesse.
Que o 25 de Abril se mantenha sempre na memória dos portugueses, assim como os tempos antes dele!!!
Este post é especialmente dedicado à memória de dois homens (irmãos) especiais:
Manuel Luís dos Santos
(um dos muitos incógnitos militantes anti-fascistas)
e
José Adelino dos Santos
(assassinado há 46 anos quando participava, á frente de uma manifestação de 400 pessoas contra a burla eleitoral das eleições onde concorreu o General Humberto Delgado e que por isso não pôde saborear os ventos da liberdade que o 25 de Abril conseguiu)

sábado, abril 23, 2005

Abençoado trabalho

Depois de uma sexta-feira particularmente stressante e prolongada, eis que antes de ir para o merecido descanço me deparo com este cenário






É caso para dizer "Lavarás a vista com o suor do teu corpo"

terça-feira, abril 19, 2005

Da cidade para a Torre



E da Torre para a cidade

A Rua de D. Vasco e a sua Casa Torre


Casa-torre da Rua de D. Vasco

Ao contrário do que muitos montemorenses pensam, Vasco da Gama não pernoitou nesta casa e muito menos o nome da rua é em sua homenagem. Aqui viveu sim D. Vasco de Mascarenhas, fidalgo do século XVI e irmão do influente alcaide-mor da vila D. fernão Martins de Mascarenhas, personagem de que um dia espero vir a tratar neste blog.
No início desta rua podemos observar uma interessante casa torre quinhentista com janela tipicamente manuelina.